29/08/2018 - Projeto Tamar estuda deslocamentos de tartarugas por meio de telemetria. Saiba mais. ↓
Está em curso um estudo com objetivo de identificar áreas de alimentação, rotas migratórias e investigar se há indícios de mudança no comportamento de tartarugas marinhas associados à pesquisa sísmica que ocorre em Sergipe e Alagoas. As informações coletadas podem subsidiar novas recomendações para proteção das espécies, ou ainda atestar a importância de medidas já vigentes.
A primeira tartaruga abordada durante monitoramento noturno em julho de 2018, uma tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), recebeu marcas metálicas nas nadadeiras e teve instalado um transmissor, coletado material biológico; sangue, pele e pequeno fragmento da carapaça para análises de isótopos estáveis. A tartaruga foi batizada de “Pirambu” em homenagem à praia em que foi capturada, e já emitiu sinais da localização no mar, permanecendo na costa de Sergipe. Os dados coletados permitirão entender melhor as variações nos ambientes e itens alimentares consumidos ao longo de diferentes fases de sua vida.
Até o final da primeira etapa da pesquisa, fase de execução da sísmica pela PGS Investigações Petrolíferas Ltda., prevista para encerrar em outubro de 2018, serão instalados mais 09 transmissores em tartarugas-oliva com diferentes tamanhos. Na fase pós-sísmica serão instalados mais 10 transmissores. Os aparelhos escolhidos possuem sistema Fastloc, que permite obter localizações precisas e podem ser programados para durar até 400 dias, o que pode possibilitar o acompanhamento da tartaruga até o seu retorno nesta temporada de reprodução.
A execução deste estudo foi estabelecida pelo IBAMA, na forma de condicionante ambiental, para a aquisição de dados por sísmica marinha realizada pela empresa Norueguesa PGS Investigações Petrolíferas Ltda.
Histórico de telemetria
O Tamar estuda desde 2001 o deslocamento das tartarugas marinhas, através do monitoramento por satélite. O objetivo de conhecer as rotas migratórias está entre as pesquisas realizadas para entender melhor o ciclo de vida e o comportamento dos animais.
Este é o quarto monitoramento de tartarugas marinhas por telemetria satelital realizado em Sergipe. O primeiro, com 10 animais, foi feito entre 2006 e 2008, o seguinte, com indivíduos híbridos, foi associado ao estudo de doutorado do pesquisador Luciano Soares, entre 2011 e 2012.
Em 2014 e 2015, conforme definido pelo IBAMA, as empresas PGS e Spectrum disponibilizaram 46 transmissores que foram instalados em Lepidochelys olivacea (40) e Caretta caretta (6), também com objetivo de avaliar os possíveis impactos causados pela sísmica sobre as tartarugas marinhas na região de Sergipe.
A pesquisa por meio da telemetria possibilitou aumentar o conhecimento da ecologia da tartaruga-oliva no Brasil, com descoberta de novas áreas de descanso e alimentação, assim como rotas migratórias, que compreendem quase toda a costa do Brasil até o noroeste da África. Como explica o coordenador do Tamar em Sergipe, César Coelho, o estudo atual tem a importância de ampliar as informações disponíveis, o que permittirá um melhor entendimento sobre as ameaças a esses animais ao longo de suas amplas rotas no Atlântico.
O litoral de Sergipe é caracterizado por ambientes de alta relevância para a biodiversidade, a exemplo dos estuários, fundos lamosos, canais submarinos, além de ser importante área de reprodução de tartarugas marinhas, com a existência de 4 das cinco espécies que ocorrem no país. Considerando apenas a espécie tartaruga-oliva, Sergipe é a mais importante área de reprodução do Brasil.
Visita do cônsul da Noruega ao Tamar Aracaju
Em junho, a equipe do Tamar Sergipe recebeu no Centro de Visitantes de Aracaju a visita da Cônsul Geral da Noruega, Sissel Hodne Steen, do assessor Gabriel Francisco e do Diretor Geral da PGS Investigação Petrolífera Ltda, Stephane Dezaunay. Eles chegaram para conhecer o estudo realizado junto à PGS, empresa norueguesa responsável pela atividade de sísmica na Bacia de Sergipe/Alagoas.
A equipe apresentou os resultados dos últimos anos de estudos de telemetria e, durante a visita, os participantes puderam entender mais sobre as espécies de tartaruga marinha, o trabalho realizado pelo Tamar nas regiões de atuação da empresa e sobre a fauna marinha local. Finalizando o passeio, filhotes de tartarugas marinhas foram devolvidos ao mar com a participação dos visitantes.
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